O Cooperativismo e suas respostas às questões sociais da atualidade

Quando a ONU decretou o ano de 2012 como o ANO INTERNACIONAL DO COOPERATIVISMO, ela tinha dois objetivos:

  1. Reconhecer a importância do sistema cooperativista desde sua organização oficial (Rochdale 1844), no que tange à organização do trabalho e os resultados obtidos pela mesma na geração de qualidade de vida;
  2. Perceber no sistema cooperativista a solução para os grandes desafios sociais nas próximas décadas, no que diz respeito ao crescimento demográfico e a consequente necessidade por produção de alimentos, bens e serviços.

Atualmente, o mundo, com 6 bilhões de pessoas, já sente da carência de alimentos em muitas regiões. Segundo pesquisas da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura – FAO, 1 em cada 8 pessoas passam fome no mundo. Na África, 1 em cada 3 pessoas passam fome e no sul da Ásia, 1 em cada 4 pessoas passam fome. A questão da água potável também é um problema crucial, pois 1 em cada 3 pessoas no mundo já se ressente da falta de água.

Até o ano de 2050, a população mundial deverá chegar a 10 bilhões de pessoas, isso exigirá tremendos investimentos na produção de mais alimentos e no atendimento das necessidades básicas do ser humano, modo a evitar um colapso social. Portanto, serão necessárias novas tecnologias para gerar mais produtividade, aumento de áreas de produção e melhor distribuição de energia, oportunidades e renda.

Com essas preocupações e, dentro da agenda oficial do Ano Internacional do Cooperativismo, o Governo do estado do RS, através da Secretaria do Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo – SDR, realizou o SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE COOPERATIVISMO, que ocorreu nos dias 17 e 18 de outubro, em Porto Alegre-RS, com o tema “O Cooperativismo e o desenvolvimento sustentável”.

Painéis temáticos

  • Painel 1 – O papel das cooperativas no combate à pobreza. Palestrante: Hélder Mutéia.

Segundo o painelista Mutéia, ex. Ministro da Agricultura de Moçambique e atual representante da FAO no Brasil, a “pobreza é a mãe da fome e é a responsável pelo desequilíbrio social do mundo”.

  • Painel 2 – Globalização e o Cooperativismo. Palestrante: Dr. Américo Tums (representante da Aliança Cooperativa Internacional – ACI).

Atualmente, 50% da produção agrícola mundial vem de cooperativas. No Brasil, 4,5% da população é associada de uma cooperativa. Em países desenvolvidos, como Noruega, Canadá, EUA, entre outros, 1 em cada 4 pessoas é cooperativada.

  • Painel 3 – Marco Regulatório da Nova lei Cooperativa. Palestrantes: Odacir Klein (representante da Casa Civil e da Presidência da República) e Dr. Daniel (assessor jurídico e representante da UNICAFES).

Para Daniel, “os números nos afastam do cooperativismo”. Ele defende a economia familiar e as pequenas cooperativas, entende que as grandes sociedades perdem a essência do cooperativismo. Afirma que o “sentido originário do cooperativismo de ajuda mútua se afasta do cooperativismo empresarial adotado pelo estado brasileiro.

Nesse sentido, pode-se afirmar que “o desenvolvimento, se ele é sustentável deve ser sustentável para quem produz e para quem consome”.

  • Painel 4 – Papel do Cooperativismo no desenvolvimento local/regional. Palestrante: Isabel Cruz (Forolac, México)

O Foro Latino-americano e do Caribe em Finanças Rurais – FOROLAC tem o objetivo de diminuir a pobreza e promover a inclusão social, através de redes de financiamento.

A América Latina esta catalogada como a região das maiores desigualdades, as quais estão concentradas nas áreas indígenas e rurais. A maioria da população rural não tem acesso ao crédito. Logo, não há desenvolvimento local se a população não tem esse recurso. No Brasil participam da rede de financiamentos: OCIPS (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público), o Sistema CRESOL (Cooperativas de Crédito Rural com interação solidária) e o Banco do Nordeste (através do Programa Agroamigo).

Para Isabel, em não havendo atendimento das necessidades básicas da população não há desenvolvimento local. Desenvolvimento pressupõe existência de políticas públicas e acesso da população carente a essas políticas, gerando cidadania. Portanto, é preciso partir das necessidades dos pobres.

  • Painel 5 – Desenvolvimento e as cooperativas de trabalho: potencialidades e limites. Palestrantes: Dr. Andres Alonso e Geraldo Magela

De um modo geral, os painelistas discorreram a respeito da frase: “Cooperativas alimentam o mundo!”

Nesse sentido, podemos concluir dizendo que a contribuição das cooperativas para o desenvolvimento sustentável do Brasil é muito grande. A sustentabilidade não diz respeito somente à produção de alimentos, mas à mudança de hábitos e valores, o que inicia com a educação e a conscientização das pessoas diante do uso dos recursos naturais e das inúmeras possibilidades de reutilização e de reciclagem.

*Palestras na íntegra na página da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo – www.sdr.rs.gov.br. Clicar em Seminário Internacional de Cooperativismo.

Redação Ediane M. Viana e Valdir B. Feller

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